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DatasheetsDAT-DED-088

Como Interpretar Curvas de Derating Térmico em Datasheets de Diodos Schottky

5 min de leitura· Publicado em 09 Ago 2026· Equipe Técnica FB Componentes

Módulos de potência com dissipadores sobre a placa, com mapa térmico ilustrativo sobreposto mostrando o gradiente de temperatura

Um retificador Schottky "de 3 A", como o popular SS34 (3 A / 40 V, encapsulamento SMA), não entrega 3 A em qualquer condição — entrega 3 A na condição térmica exata que o fabricante descreve em letra pequena. A curva de derating térmico é o gráfico que traduz essa condição para o mundo real, e ignorá-la é uma das causas mais recorrentes de diodo falhando em campo depois de meses funcionando "normalmente" na bancada.

O que a curva de derating representa

A curva de derating mostra a corrente média direta permitida (IF(AV)) em função da temperatura — do ambiente (TA) ou do terminal (TL), conforme o fabricante. Ela é plana até uma certa temperatura e depois cai em rampa até zero na temperatura máxima de junção, tipicamente entre 125 °C e 150 °C para Schottky, conforme o fabricante.

A lógica por trás é simples: a junção aquece pela potência que o próprio diodo dissipa (aproximadamente IF(AV) · VF, mais a parcela reversa), através da resistência térmica do conjunto encapsulamento + placa. Quanto mais quente o ambiente, menos margem térmica sobra para a dissipação própria — logo, menos corrente. A rampa da curva é exatamente essa conta feita pelo fabricante, para a condição de montagem dele.

Por que Schottky exige atenção dobrada

Três características tornam o derating de Schottky mais delicado que o de um retificador convencional:

Lendo a curva na prática

Passo a passo com os pontos onde os erros acontecem:

0% 25% 50% 75% 100% 25 50 75 100 125 150 Pad de cobre generoso Pad mínimo Temperatura ambiente/terminal (°C) IF(AV) permitida (% da nominal)
Forma típica de uma curva de derating de IF(AV): a mesma peça derata mais cedo no layout com menos cobre. Curvas ilustrativas — use a curva e as condições de montagem do datasheet do seu componente.

Exemplo ilustrativo

Números redondos, apenas para mostrar o método — substitua pelos valores do datasheet do seu componente e do seu layout. Suponha um Schottky classe SS34 conduzindo 2 A médios com VF ≈ 0,45 V na sua corrente e temperatura de operação:

P ≈ 2 A × 0,45 V = 0,9 W

Para um SMA em FR-4, o RθJA realista fica tipicamente entre 60 e 110 °C/W dependendo da área de cobre — suponha 80 °C/W no seu layout:

ΔT = 0,9 W × 80 °C/W = 72 °C

Com ambiente interno de 60 °C, a junção estimada vai a 132 °C — acima do limite de 125 °C de muitos Schottky dessa classe e sem contar a potência reversa. O mesmo diodo que passou no teste de bancada a 25 °C (junção ≈ 97 °C) falha no gabinete quente. As soluções, em ordem de custo: mais cobre no pad, encapsulamento maior (SMB/SMC), diodo de classe de corrente maior, ou repensar a topologia (retificação síncrona).

O que conferir no datasheet

ParâmetroO que verificar
IF(AV) e sua condiçãoTA ou TL? Qual pad de cobre a nota de rodapé assume?
Curva de deratingSeu ponto (corrente, temperatura interna) está sob a curva com folga?
VF vs. IF vs. temperaturaUse o VF da sua corrente real, não o máximo da tabela
IR vs. temperatura e VRPotência reversa em ambiente quente; margem contra avalanche térmica
TJ máxima125 °C e 150 °C convivem no mercado — não assuma
RθJA / RθJLCondição de medição; ajuste para o seu cobre real

Erros comuns

Conclusão

Curva de derating não é burocracia de datasheet: é o resumo térmico do componente. A leitura correta exige três números do seu projeto — corrente real, temperatura interna real e resistência térmica real do layout — e cinco minutos de conta. É barato. Falha de retificador em campo, com equipamento parado na linha do cliente, não é.

— Equipe Técnica FB Componentes

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